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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Poema Promíscuo

 


Dediquei-te um poema,

Imaculado

Do qual pouco caso fizestes...

Então à outra, como um teste,

Dediquei o poema desprezado

E ela me recebeu em seus seios, inconteste... (!!!)

Usar o poema, então, tornou-se um vício,

E de poeta devotado,

Passei a espalhar um poema de pecado,

Em busca dos prazeres que não destes...

Até que um dia caiu, o poema,

Infectado

De um vírus que o faz disseminar-se,

Alucinado

Matando sua fome em corações cansados...

Poeta !!! Se a miséria da saudade te diverte,

E a vida ainda queres,

Preserva, então, teus versos !!!

Não compartilhes tuas intenções,

Nem te injetes alheios sentimentos !!!

Testa antes o sangue de tuas musas,

Pois o preço a pagar por um poema promíscuo

É deveras alto:

Monstros vorazes, nunca saciados, multiplicados,

Tomarão conta de ti, tuas dores,

Teus amores, teus enfados...

Até findares, consumido, definhado,

Pelas chagas dos teus sonhos encantados...

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