Dediquei-te um poema,
Imaculado
Do qual pouco caso fizestes...
Então à outra, como um teste,
Dediquei o poema desprezado
E ela me recebeu em seus seios, inconteste... (!!!)
Usar o poema, então, tornou-se um vício,
E de poeta devotado,
Passei a espalhar um poema de pecado,
Em busca dos prazeres que não destes...
Até que um dia caiu, o poema,
Infectado
De um vírus que o faz disseminar-se,
Alucinado
Matando sua fome em corações cansados...
Poeta !!! Se a miséria da saudade te diverte,
E a vida ainda queres,
Preserva, então, teus versos !!!
Não compartilhes tuas intenções,
Nem te injetes alheios sentimentos !!!
Testa antes o sangue de tuas musas,
Pois o preço a pagar por um poema promíscuo
É deveras alto:
Monstros vorazes, nunca saciados, multiplicados,
Tomarão conta de ti, tuas dores,
Teus amores, teus enfados...
Até findares, consumido, definhado,
Pelas chagas dos teus sonhos encantados...

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