Pesquisar este blog

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Poema Bipolar

 



Um poema transtornado

Afetivamente bipolar
Às vezes maníaco,
Outras deprimido
Mas poema...
Seria eu um santo? Há um halo sobre minha cabeça...
Haloperidol.
Ou estaria psicótico?
E cá estou, meio ácido, perdido na minha agressividade...Valpróico. Prosaico...
Perdendo e ganhando a cada dia,
Fluoxetina.
A vida flui,
Flui o que se tinha, flui o que se perdeu...
Lítio. Li... Leio, ainda. Li, em algum lugar,
Que Freud teria dito que " (...) no futuro
a química resolveria tudo (...)"...
E em outro lugar, não lembro,
Ser tudo placebo e a crença a cura...
Se "o poeta é um fingidor
Que finge não ser sua
A dor que deveras sente" (seria isso?)
Quisera eu, demente, fingir não ser tudo verdade...
Mas se confessei os nomes, os crimes,
Ainda não cheguei na dose certa
Onde a mente se equilibra
E a incógnita que somos desperta...

(Estou enlouquecendo à velocidade do pensamento...)

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

No tempo dos lampiões

 




E se eu morasse no tempo

Das ruas alumiadas por lampiões

Aquelas ruazinhas do Quintana!

Eu hoje estaria esperando a ronda do acendedor

Na sua função de também apagar

Para que a chegada do total escuro

Mesclasse-se aos meus pensamentos tristes e obscuros

E viesse o sono e o nada

E uma dor anestesiada.

Mas não há mais Quintana, nem lampiões, nem acendedores

Há apenas dores.

Oração do Desencontro

 



Permita o meu Deus

Que o tempo volte

E que tu te afastes de mim

Que, naquele primeiro encontro,

Eu nunca tenha te dito sim

Que jamais do meu amor

Tenha te falado e, percebendo meu ponto fraco

Nunca tenhas me apunhalado...

Senhor, vendo a tristeza em que me encontro

Peço-te que revertas esse tal amor

Em desencontro.

Poema Promíscuo

 


Dediquei-te um poema,

Imaculado

Do qual pouco caso fizestes...

Então à outra, como um teste,

Dediquei o poema desprezado

E ela me recebeu em seus seios, inconteste... (!!!)

Usar o poema, então, tornou-se um vício,

E de poeta devotado,

Passei a espalhar um poema de pecado,

Em busca dos prazeres que não destes...

Até que um dia caiu, o poema,

Infectado

De um vírus que o faz disseminar-se,

Alucinado

Matando sua fome em corações cansados...

Poeta !!! Se a miséria da saudade te diverte,

E a vida ainda queres,

Preserva, então, teus versos !!!

Não compartilhes tuas intenções,

Nem te injetes alheios sentimentos !!!

Testa antes o sangue de tuas musas,

Pois o preço a pagar por um poema promíscuo

É deveras alto:

Monstros vorazes, nunca saciados, multiplicados,

Tomarão conta de ti, tuas dores,

Teus amores, teus enfados...

Até findares, consumido, definhado,

Pelas chagas dos teus sonhos encantados...

O humanista iconoclasta (Ou a Revolução das Humanidades)

 


A Matemática

Não tem humanidade

Nem a Física

Sente saudades...

O mercado financeiro

Pensa somente em dinheiro...

E os precipitados da Química

Nunca serão lágrimas

Derramadas

Pelas crianças que tem fome...

Pobre homem!

Servo de suas próprias criaturas...

E, se um dia, decidisses

Por tua liberdade?

A História, com suas interrogações

A esmagar os números;

A Literatura e suas ficções

Para além dos fenômenos

Mensuráveis

Banindo as certezas físicas, decimais,

Miseráveis!

A Filosofia, alimentando de trocas

O mercado das ideias...

E as reações da poesia?

Por serem de improviso

Não precisariam de tubos

De ensaio...

Iconoclasta das "verdades",

Insano!

Eu saio a derrubar os falsos

Deuses

E a erigir tudo

O que é humano...

O Poeta Lunar


 

Enquanto alguns são contemplados

Pelo Sol

E pela luz em seus caminhos

Eu sou o poeta lunar

Escrevo meus versos na semi-escuridão prateada

Com uma melancolia que me é própria

E palidamente bela...

Quatro fases eu possuo

Na Lua cheia tudo crio

Na crescente emendo estrofes

Na minguante escrevo com poucas palavras

Na nova, me bloqueio...

Para recomeçar de novo e de novo meu ciclo

Para embelezar a angústia e submeter a Morte

Em forma de arte...

Poema Bipolar

  Um poema transtornado Afetivamente bipolar Às vezes maníaco, Outras deprimido Mas poema... Seria eu um santo? Há um halo sobre minha cab...